Lucy

 Lucy



Não posso começar a contar essa história sem antes falar da mulher mais linda, inteligente, simpática, cuidadosa e carinhosa.  


Seu nome é Lucy. Uma luz na minha vida, mesmo que só tenha brilhado por um tempo.


Eu tive um problema sério de saúde e precisei ficar internado. Foi lá que a conheci.  


Nos dias mais difíceis, ela era quem me dava atenção, quem cuidava de mim. Confesso que me acostumei mal com aquilo. 


Depois da alta, a vida voltou. Mas a minha não.  


Fico feliz de encontrá-la na rua às vezes e ver que ela continua bem. Mas pra mim, os melhores dias ficaram presos naquele quarto.


Tentei outros relacionamentos, mas nada evoluiu. É engraçado como a vida prega peças. Eu fui pego por uma lembrança, e não tem graça.  


Passo horas imaginando nós dois juntos de novo. Sei que parece loucura. Talvez seja.


Meus dias ficaram longos e tediosos. Meu pai me deixou uma grande empresa, então dinheiro não é problema. Só tempo. Tempo demais pra pensar.


Na noite passada saí com uma garota. A levei para um hotel. Derrubei a taça de espumante e cortei a mão. O sangue no tapete vermelho a assustou.  


Lucy não teria se assustado.  


Nossa... Estou pensando nela de novo?


A vida passa em câmera lenta. E eu só consigo pensar em uma forma de voltar a ter aqueles dias.  


Lá fora a chuva cai com violência na janela. As árvores dançam, os raios cortam a noite. A tempestade parece o meu peito: gritando e inundando a minha alma.


No dia seguinte saí pra caminhar. O dia estava perfeito. Depois da tempestade vem a bonança, dizem.  


Ao atravessar a esquina, um caminhão baú azul tentou frear. Mas foi tarde.  


A força me jogou contra mim mesmo: osso estilhaçado, pulmão perfurado. Dor. Agonia.  


E, estranhamente... um pingo de esperança.


Acordei cinco dias depois no hospital.  


O doutor disse:  


— Sr. Roger, a cirurgia foi um sucesso. Teve fratura exposta, costelas quebradas. Vai precisar ficar conosco um tempo em observação.


Antes de sair ele avisou:  


— A enfermeira responsável já está vindo.


Meu coração disparou.  


A porta abriu.


— Senhor Roger! De novo aqui? Precisa tomar mais cuidado. Bom, o senhor já me conhece. Sou a Lucy.


Ela riu. Era tão linda.  


— Agora vou preparar o medicamento. Descanse bem, ok.


Ela é exatamente como eu lembrava.  


Acho que dessa vez vou ficar mais tempo com ela.  


Estou tão feliz.

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