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Décimo andar
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Me mudei há pouco tempo pra este apartamento. É pequeno, mal localizado e tem cheiro de carpete velho e úmido. Não conheço São Paulo, vim pra trabalhar numa filial nova da empresa onde fui contratado em Curitiba. Dez horas enfurnado em uma pequena sala com a cara na frente do PC. Há sete anos atrás achei que tecno em TI era legal, mas hoje vejo que não era o que eu queria. Meu dia se resume em acordar às seis, andar quinze minutos até a estação de metrô, pegar o metrô por mais vinte minutos, depois mais trinta minutos de ônibus, depois já na boca da noite fazer o caminho inverso. A monotonia e a solidão estavam me consumindo. Colocava a única cadeira que tinha em frente à janela e ficava olhando o movimento. Eu, do décimo andar, vendo tudo pequeno, distante, me sentia mais sozinho. Foi quando me senti observado. No prédio em frente ao meu uma luz brilhava pálida, uma luz fraca e amarela iluminava tímida uma mulher debruçada sobre a janela. Apesar da distância percebia-se que ela ...
Exílio
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Estou em um quarto decadente, de um hotel esquecido pelo tempo, por Deus e o diabo. Me distanciei de tudo e de todos. Preciso de um tempo pra pensar. Aqui é um ótimo lugar, pois nesse fim de mundo, onde o tempo se perde e o silêncio grita pedindo ajuda, encontrei um refúgio decrépito. Meu quarto tem vista para a estrada, que raramente passa alguns carros que quebram o silêncio com o som de seus motores, que roncam longe, crescem e diminuem até sumir novamente como um último suspiro. O campo de trigo do outro lado da rodovia brilha como ouro com o pôr do sol. A brisa que sopra leve acaricia o campo, que dança com movimentos leves e ritmados, quase hipnotizante. O dourado do campo contrastando com o asfalto que parece engolir a luz, com a absoluta escuridão. Rachaduras que parecem sorrir com sarcasmo para os transeuntes apressados que ignoram sua existência. A noite cai. A lua lá no alto, mesmo acompanhada de tantas estrelas, parece tão solitária. Pode parecer ego...
Lucy
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Lucy Não posso começar a contar essa história sem antes falar da mulher mais linda, inteligente, simpática, cuidadosa e carinhosa. Seu nome é Lucy. Uma luz na minha vida, mesmo que só tenha brilhado por um tempo. Eu tive um problema sério de saúde e precisei ficar internado. Foi lá que a conheci. Nos dias mais difíceis, ela era quem me dava atenção, quem cuidava de mim. Confesso que me acostumei mal com aquilo. Depois da alta, a vida voltou. Mas a minha não. Fico feliz de encontrá-la na rua às vezes e ver que ela continua bem. Mas pra mim, os melhores dias ficaram presos naquele quarto. Tentei outros relacionamentos, mas nada evoluiu. É engraçado como a vida prega peças. Eu fui pego por uma lembrança, e não tem graça. Passo horas imaginando nós dois juntos de novo. Sei que parece loucura. Talvez seja. Meus dias ficaram longos e tediosos. Meu pai me deixou uma grande empresa, então dinheiro não é problema. Só tempo. Tempo demais...